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DADOS, DICAS E RECEITAS DE VIDAS SEM GLÚTEN



sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Porque há cada vez mais celíacos?

Imagem retirada da Net
Hoje, trago um post sobre um excelente artigo da revista The Scientist de Junho deste ano que, a propósito de um estudo liderado pelo Dr. Edwin Liu que concluiu que a prevalência de doentes celíacos é superior ao que se pensa, faz um apanhado do que de último se tem descoberto neste campo da investigação científica. O artigo é extenso e merece a pena ser lido por quem se interessa por estes assuntos; deixo aqui um resumo dos pontos principais para quem não percebe Inglês.


"Edwin Liu descobriu que a verdadeira prevalência de doença celíaca tinha que ser muito maior - mais de 3% aos 15 anos. "Foi uma surpresa", disse. "Estes números são muito mais altos do que qualquer outros citados nos EUA". Os investigadores que leram o artigo, que foi publicado online no início deste ano na revista Gastroenterology, ficaram igualmente surpreendidos. "Se vir as percentagens, é assustador", diz o Dr. Joseph Murray, um investigador da doença celíaca na Mayo Clinic em Rochester, Minnesota. Certamente, a estatística pode ser específica para a coorte de Denver, ele repara, mas encaixa-se com tendências semelhantes relatadas tanto nos EUA como no resto do mundo.

À medida que o uso da biópsia e outros métodos de diagnóstico melhoraram nas últimas décadas, a doença celíaca tornou-se mais fácil de detectar. Assim, quando os primeiros relatos de um número crescente de casos de doença celíaca nos EUA surgiram no início dos anos 2000, muitos investigadores atribuíram o aumento no progresso no diagnóstico da doença. Mas um exame mais detalhado dos dados sugeriu que haveria mais motivos. "Nós não estávamos apenas melhores em encontrar a doença celíaca", diz Murray. "Havia muito mais para investigar.”

A causa desta tendência aparentemente global continua a ser um mistério, não menos importante porque, enquanto a imunopatologia da doença celíaca tem sido estudada há décadas, permanece por identificar o que faz com que as pessoas desenvolvam a doença em primeiro lugar. Quase todos os pacientes diagnosticados têm mutações em pelo menos um dos dois genes que codificam para o HLA-DQ, um receptor de membrana em células apresentadoras de antígeno que ajuda o sistema imune a distinguir entre auto e não auto, e coordenar a atividade de células T. Mas nem todos os que têm esses genes de risco se tornam celíacos.

Uma coisa em que os investigadores da doença celíaca concordam é que a causa direta do aumento da doença provavelmente reside fora do nosso ADN. "Décadas, é muito rápido para que as mudanças genéticas ocorram", diz o Dr. Liu. "Temos que assumir que isto se baseia em factores ambientais". Os factores que foram mais certamente ligados ao aumento do risco de doença celíaca em crianças geneticamente predispostas incluem parto por cesariana e infecções intestinais por agentes patogenicos, como o reovírus (recentemente implicado num modelo de ratos), embora os seus impactos sejam provavelmente menores, diz o Dr. Murray.

Durante a década de 2000, por exemplo, vários estudos observacionais apontaram para um conjunto de factores alimentares, incluindo a idade da introdução do glúten, como influenciadores no desenvolvimento da doença celíaca. Mas as descobertas sofreram um golpe em 2014, quando dois ensaios clínicos randomizados não conseguiram encontrar qualquer efeito do momento da introdução do glúten. Os estudos também não encontraram evidências de um vínculo com a duração da amamentação.

Uma hipótese mais recente é que a quantidade de glúten consumida, e não o tempo, poderia desempenhar um papel no desencadeamento da doença celíaca em crianças. As reações a essas descobertas foram distintas, no entanto. Um factor agora sob escrutínio em doenças digestivas e outras é o uso humano de antibióticos e, consequentemente, a composição de bactérias que compõem o microbioma intestinal. As bactérias que vivem no intestino desempenham papéis importantes no metabolismo e na regulação das respostas imunes aos alimentos, portanto, para muitos investigadores, esses micróbios são provavelmente suspeitos na patogénese da doença celíaca. No entanto, as evidências circunstanciais acumulam-se e sugerem mais do que um papel passivo para estes micróbios.

Com tantos factores a serem investigados, o Dr. Edwin Liu diz que é improvável que a explicação para um aumento na incidência de doença celíaca seja simples. "Não creio que possamos encontrar um único gatilho ambiental", diz ele. "Será uma combinação.”

Por enquanto, o único tratamento é uma dieta sem glúten. Mas como o foco na doença celíaca se intensificou, também há pesquisa sobre os efeitos dessa intervenção - e os resultados não são encorajadores. Vários estudos sugerem que os intestinos dos pacientes celíacos não são capazes de se curarem completamente, mesmo com a dieta, pois a ingestão acidental desta proteína omnipresente é quase inevitável; mesmo pequenas quantidades podem desencadear sintomas. Além disso, os pacientes acham que a dieta isenta de glúten é difícil de tolerar porque é isoladora e, muitas vezes, impraticável.

Para melhorar os resultados em pacientes com doença celíaca, alguns cientistas estão a explorar maneiras de enfrentar a resposta do intestino celíaco ao glúten e, potencialmente, restaurar a tolerância:

Uma vacina que poderia ajudar a dessensibilizar os pacientes para o glúten através de uma série de tomas;
Atacar o corpo com parasitas intestinais pode ajudar a mitigar os efeitos desta doença auto-imune;
Um comprimido que exigiria que os pacientes continuem com a dieta isenta de glúten, mas serviria para reduzir a gravidade das reações à exposição acidental quando tomadas antes de uma refeição.

Com esses tratamentos alternativos ainda estarem num longo caminho até estarem disponíveis para o consumo comum, muitos provedores de saúde argumentam que a melhoria das taxas de diagnóstico deve ser a prioridade, para ajudar a entender e cuidar melhor do número crescente de pessoas que vivem com doença celíaca. Parte do atraso nas melhorias tem a ver com médicos gostarem de jogar à apanhada com uma gama crescente de sintomas reconhecidos como sinais de alerta. Há também reticência entre os médicos em diagnosticarem esta condição - uma situação que, de forma paradoxal, não foi ajudada pela crescente popularidade das dietas sem glúten e a publicidade em torno do "espectro" de distúrbios relacionados com o glúten."



domingo, 13 de agosto de 2017

Petição FACE

A Face (Federação de Associações de Celíacos de Espanha) lançou uma petição no site wemove.eu, apelando ao Parlamento Europeu que  altere o Regulamento de Execução (UE) n.º 828/2014 da Comissão Europeia. Este documento tem criado muita discussão entre os celíacos devido às várias designações que criou e que vieram eliminar a menção que todos conhecemos de "sem glúten".

Esta petição propõe-se a angariar 5000 assinaturas e, para já, tem pouco mais de 3600. Se concordarem com o texto e objectivo da petição, é só ir ao site e assinar. Este é um assunto que interessa a todos os celíacos europeus. Fica a dica.

"Texto da petição
Remoção da menção de "teor muito baixo de glúten", validada no Regulamento de Execução (UE) n.º 828/2014 da Comissão, relativo às condições para a transmissão de informações aos consumidores sobre a ausência ou reduzida presença de glúten nos alimentos.

Porque é importante
Ao ser diagnosticado com doença celíaca devem-se iniciar uma série de mudanças que devem ser mantidas ao longo da vida:

Mudança nos hábitos alimentares
Manter uma dieta isenta de glúten
Aumento do custo da cesta básica de compras
Leitura cuidadosa dos rótulos dos produtos

Se a leitura dos rótulos dos produtos fornecer todas as informações sobre os ingredientes e/ou matérias-primas fornecidas à população em geral, isto ajuda a escolher correctamente os produtos que serão consumidos.

O problema para o coletivo celíaco surgiu a partir da entrada em vigor do Regulamento de Execução (UE) n.º 828/2014 da Comissão, relativo às condições para a transmissão de informações aos consumidores sobre a ausência ou presença reduzida de glúten nos alimentos.

Neste regulamento define-se a catalogação de produtos com "teor muito baixo de glúten", os quais podem conter até 100 ppm.

Para além disso, no artigo 3.° deste regulamento prevê-se que a informação alimentar pode ser acompanhada pelas seguintes declarações:

Adequado para pessoas com intolerância ao glúten
Adequado para celíacos
Desenvolvido especificamente para pessoas com intolerância ao glúten
Desenvolvido especificamente para celíacos

De acordo com o estudo de Catassi et al. (2007), uma quantidade de 50 mg / kg por dia provoca danos no intestino em pacientes com doença celíaca e impede que o tratamento seja eficaz pelo que não poderão consumir produtos rotulados como "teor muito baixo de glúten".

Estes termos são incongruentes e causam perigo entre o colectivo celíaco ao transmitirem informação que pode induzir em erro ou confusão, especialmente em celíacos recém-diagnosticados.

Portanto, a fim de proteger o coletivo celíaco para que possa manter o seu tratamento da forma mais eficaz possível, pedimos aos parlamentares para alterarem o Regulamento, eliminando as anteriores definições expostas, mantendo apenas a declaração "sem glúten"."


sábado, 5 de agosto de 2017

Nova Iorque sem glúten

As nossas férias este ano passaram pela “capital do mundo”, Nova Iorque. Este era um destino que estava escolhido há já algum tempo, mas para o qual ainda não tínhamos tido a oportunidade de ir- para além do interesse em visitar a cidade que é Nova Iorque, era também um destino onde, com alguma facilidade, conseguiríamos manter a nossa dieta sem glúten.

Reuni sem problemas (com a ajuda do Google) uma lista de restaurantes e pastelarias onde encontraríamos opções sem glúten: com algumas raras excepções, eram, no entanto, locais com cozinhas partilhadas e que obrigariam a uma vigilância mais apertada. A dificuldade maior foi na selecção porque eram imensos os locais com opções sem glúten. 

Os preços são outra preocupação: Nova Iorque é muito, muito cara, os museus, os restaurantes, os supermercados, os transportes… As poucas atracções a custo zero passam por visitas a lojas como a Lego Store ou a M&M Store, que os miúdos adoram ver, ou passeios pela cidade em Central Park, Highline Park ou a Ponte de Brooklyn, por exemplo. Existem também muitos e bem apetrechados parques infantis, onde os miúdos se divertem e os pais podem descansar as pernas dos vastos quilómetros que se percorrem diariamente para ver esta cidade. Os esquilos nos parques também são um bom entretenimento e grátis!

A nível da hospedagem, nós ficamos num hotel, mas um aluguer de apartamento (pelo airbnb, por exemplo) dá a vantagem de se poder cozinhar e evitar os preços dos restaurantes. Para compras de comida, o local de eleição é sem dúvida o Whole Foods que, apesar de ser mais caro que outros supermercados como o Trader Joe’s ou Fairway Market, possui uma vasta selecção de produtos sem glúten. Tem ainda zonas para refeições disponibilizando condimentos e micro-ondas, onde se pode comer os produtos comprados na loja: foi a nossa salvação num almoço em que estávamos longe de um restaurante com opções sem glúten, tendo preparado sanduíches com produtos adquiridos no supermercado.

A maioria dos hóteis em Nova Iorque com preços médios não disponibiliza pequenos-almoços: uma estadia num hotel que não o faça implica que tenha no quarto um frigorífico e um micro-ondas onde possa guardar e aquecer produtos comprados nos supermercados- ou então tomar o pequeno-almoço fora o que implica mais custos e mais riscos para a dieta. No nosso caso, o hotel tinha pequeno-almoço que, contudo, não incluía opções sem glúten, pelo que levávamos o pão e os cereais e completávamos com os iogurtes, chá, café, fruta, ovos, mel e manteiga de amendoim que o hotel disponibilizava.

Para as deslocações viajamos com a KLM e a Delta Airlines: reservamos antecipadamente as refeições sem glúten a bordo e, perto da data de partida, reconfirmei que as refeições estavam agendadas. Não houve algum contratempo e foram-nos disponibilizadas opções sem glúten durante o voo. Entretanto, devido a um atraso da Delta, perdemos a ligação no aeroporto de Schipjol, em Amesterdão, e acabamos por passar lá mais tempo do que desejaríamos. Procuramos uma opção sem glúten para almoçar e foi quase como procurar uma agulha num palheiro. Contudo, ao pesquisar na Net, apercebemo-nos de que o McDonald’s na Holanda também já disponibiliza pão sem glúten e lá veio a fast food em nosso socorro.

Regressados, finalmente, restam-nos as fotos e as memórias que hão-de perdurar, assim como a certeza de que não nos devemos deixar limitar por restrições alimentares. Como já referi outras vezes, é preciso apenas uma mochila generosamente recheada para qualquer eventualidade, e mais preparação do que o habitual: a lista de atracções a visitar deve indicar quais as opções sem glúten perto de cada uma e definir a priori quais os roteiros a percorrer (para os EUA, a app Find Me Gluten Free é quase imprescindível).

Boas férias!


RESTAURANTES COM OPÇÕES SEM GLÚTEN
A congénere americana da conhecida pastelaria francesa, serve pequenas refeições e doces ao estilo americano. O serviço é simpático e fica perto do Museu Guggenheim. Tem instalações 100% sem glúten.
Na zona de Hell’s Kitchen, este restaurante italiano serve pizza à base de farinha de grão-de-bico e uma focaccia deliciosa. Também tem pratos de massa. O serviço é muito simpático.
Servem hambúrgueres à la carte na zona de Times Square, sendo que os recheios e os molhos são todos personalizáveis.
Sendo a dona celíaca, o menú é quase todo sem glúten. Comida ao estilo diner americano, tem 4 espaços em Manhattan.
Um restaurante chinês com menú sem glúten perto do Museu de História Natural. Porções generosas e saborosas a acompanhar uma saudade imensa de comida chinesa.
Como o nome indica, este é um restaurante de comida mexicana em que as opções sem glúten estão indicadas no menú (e são muitas). Pode-se escolher guacamole com tortillas para entrada e o mesmo é preparado à nossa frente. Fica na zona de Union Square Park.
Uma pequena loja de take-away, a escassos metros do nosso hotel, permanentemente cheia. O único prato é o Poké, uma receita havaiana à base de atum crú e arroz (também há a versão com frango ou tofu). Quase todas as opções de acompanhamentos e molhos são sem glúten, convém verificar com os funcionários. Várias localizações em Manhattan.
Na zona de Brooklyn Bridge, fica esta pizzaria com dezenas de opções no menú, entre elas a pizza sem glúten. Pizzas grandes e das mais saborosas que já comemos, o serviço é que não foi nada de especial.
Localizado no Gotham West Market, um antigo mercado reconvertido para zona de restauração, disponibiliza comida orgânica, saudável, sem glúten. As doses não são grandes, mas é uma boa opção para quem vai visitar o porta-aviões Intrepid, Sea and Air Museum.
Com várias localizações, a unidade de Hell’s Kitchen decorado ao estilo industrial serve uns saborosos hambúrgueres tão grandes que se come melhor de faca e garfo. O serviço foi agradável.

Outras opções que não visitámos:

PASTELARIAS/LOJAS COM OPÇÕES SEM GLÚTEN
Já acima mencionada, tem alguns doces iguais à loja de Paris, mas aposta mais em muffins, pies e cheesecakes. Contudo, a qualidade é semelhante.
Com uma oferta semelhante à Noglu, e com igual nível de qualidade, peca por não ter zona para sentar.

Outras opções que não visitámos:




quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Novidades do pão sem glúten

Partilho hoje uma notícia do site Celiac.com com novidades que, a serem correctas, permitirão melhorar ainda mais a qualidade do pão sem glúten nas suas diferentes vertentes sensoriais. Contudo, como se costuma dizer, quando a esmola é muita, o pobre desconfia, pelo que teremos que aguardar que o produto esteja no mercado para verificar as suas vantagens.


"Pode uma nova enzima à base de arroz elevar a qualidade do pão sem glúten?

As enzimas estão a desempenhar um papel crescente tanto no tratamento da doença celíaca quanto no fabrico de produtos panificáveis sem glúten.

A DSM apresentou recentemente a sua nova enzima para panificação com base em arroz, Bakezyme, na reunião anual do Institute of Food Technologists (IFT) em Las Vegas. O produto levou dois anos para desenvolver e aperfeiçoar, e promete melhorar a suavidade e a humidade do pão sem glúten.

"Bakezyme é tão eficaz", diz a DSM, "e deixa o pão sem glúten tão macio e tão húmido que poderá competir com pães à base de trigo na textura". Projectado para atender a uma série de necessidades do fabricante, a Bakezyme está disponível em cinco classes de enzimas diferentes: amilase, protease, xilanase, glicose oxidase e amiloglucosidase.

A versão com amilase, uma enzima que evita o endurecimento do pão, por exemplo, manterá a suavidade deste durante nove dias, pelo menos.

Fokke Van den Berg, o gestor de negócios global da DSM para a panificação, diz que a Bakezyme surgiu dos esforços da DSM para enfrentar as duas maiores queixas dos consumidores sobre o pão isento de glúten, a dureza e a secura.

Enquanto a maioria das enzimas para panificação são derivadas do trigo, Bakezyme é feito de microorganismos resultantes de fermentação e adicionados à farinha de arroz, tornando-a adequada para pessoas com doença celíaca e intolerância ao glúten. Como as enzimas são desactivadas durante a cozedura, a Bakezyme é considerada como um auxiliar de processamento e, portanto, não é necessário que seja listado como um ingrediente.

A DSM testou a Bakezyme em dois tipos de massa, aveia e uma mistura de batata e arroz, cada uma exigindo uma formulação ligeiramente diferente para resultados semelhantes.

Além dos ligeiros custos de garantir que a Bakezyme é isenta de glúten, o seu preço global é semelhante aos outros ingredientes enzimáticos, em parte porque é apenas necessária uma quantidade muito pequena. Um quilo de Bakezyme é suficiente para produzir 10 toneladas de pão.

A empresa espera que a maioria da procura venha dos EUA e do Reino Unido, bem como de outros países europeus, ainda que a moda sem glúten também se esteja a espalhar para o Brasil, Turquia e Marrocos, disse Van den Berg."



domingo, 30 de julho de 2017

Dicas para férias

Imagem retirada da Net
Um dos grandes receios de alguém que faz uma dieta sem glúten são as férias. O medo de não encontrar produtos ou refeições aptas é grande, especialmente para os pais de crianças que fazem esta dieta. No entanto, é possível fazer férias sem glúten, o truque está na preparação e, felizmente, vivemos na época da Internet onde tudo o que precisamos de saber se encontra apenas à distância de um clique.

Usando um motor de busca, como o Google, e pesquisando o nosso destino com as palavras "sem glúten" resultará, de certeza, em alguns, se não muitos, resultados. Se pesquisar em Inglês, como por exemplo "Rome gluten free" (caso queira ir a Roma), terá ainda mais resultados. Aproveito então, e como estamos em tempo de férias, para indicar alguns sites onde poderá encontrar bastantes sugestões:














Sugiro também que, com o destino traçado, procure no site da associação local de celíacos informações sobre restaurantes e hotéis, assim como em grupos de facebook de celíacos, onde encontrará de certeza boas dicas. Irá ver que não é assim tão complicado viajar sem glúten e quererá repetir a experiência uma e outra vez. Não será fácil como para quem não tem restrições alimentares, mas valerá certamente a pena.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Pão de canela com passas

Este tempo estival tem roubado algum tempo e dedicação ao blog, pelo que este tem estado um pouco parado. Regresso hoje com uma receita de pão de canela com passas, uma receita americana (cinnamon raisin bread) que muito me agradou e trouxe à memória os bagels do mesmo sabor, provados há muito tempo em terras do Tio Sam. Um pão muito saboroso, fresco ou torrado com manteiga. Os miúdos não são grandes fãs de passas, pelo que estas podem ser opcionais.

Ingredientes:
150 gramas de farinha Área Viva sem glúten Continente
75 gramas de farinha Schar Mix B
75 gramas de farinha Mix Brot Dunkel da Schar
5 gramas de psílio Finax em pó
1 ½ colheres de sopa de canela em pó
3 gramas de fermento seco
2 ovos M
75 gramas margarina/manteiga sem sal
40 gramas de açúcar
½ colher de chá de sal
175 ml leite/leite vegetal (a 38ºC)
100 gramas de uvas passas
Para pincelar:
1 gema
1 pouco de leite/ leite vegetal

Misture o fermento com as farinhas, o psílio, o açúcar e a canela, e reserve.

Na cuba da sua batedeira misture o leite com as uvas passas, o sal e os ovos. Misture bem, e vá acrescentado aos poucos a farinha reservada. Trabalhe a massa durante cinco minutos e junte depois a manteiga/margarina aos pedaços. Bata bem até obter uma bola homogénea de massa. Leve ao frigorífico a levedar durante, pelo menos, 4 horas, de preferência durante a noite.

Passada esta primeira levedação, coloque a massa numa forma de bolo inglês forrada a papel vegetal e deixe levedar de novo durante 30 minutos num local aquecido. Pincele com a mistura da gema com o leite e leve ao forno pré-aquecido a 220ºC durante 10 minutos, e depois a 190ºC durante mais 20 a 25 minutos. Se o pão começar a ficar muito escuro, cubra com papel de alumínio.

Deixe arrefecer numa rede antes de cortar.


















sexta-feira, 23 de junho de 2017

A Norte, sem glúten

Até há pouco tempo, não havia no Norte de Portugal algum local onde se pudesse fazer uma pequena refeição ou lanchar sem glúten, em segurança. Em poucos meses, o panorama alterou-se e entre o Norte e a Galiza, surgem três novos locais:

Situada na Rua Trindade Coelho, Entrada 10, Loja 11, no Porto, define-se como um salão de chá com alguma pastelaria caseira e que prima principalmente pela simpatia no atendimento. Não tem ainda muita variedade, mas encontra-se certificada pela APC.

Situada na Rua Dr. Manuel Monteiro nrº 27, na Póvoa de Varzim, é uma pastelaria também certificada pela APC com uma grande variedade de doces, todos com um aspecto muito apetitoso, a avaliar pelas fotos na sua página de Facebook. Está na nossa lista de locais a visitar em breve.

Para quem mora perto da fronteira, pode encontrar mais uma opção para compras sem glúten em Vigo na Panacea Bakery. É, como o nome indica, uma padaria sem local para lanchar, mas tem produtos muito saborosos, especialmente o pão, e que atendem também a quem tem outras restrições alimentares pois na confecção dos seus produtos também não usam lacticínios.

Alguns produtos da Panacea
























quinta-feira, 15 de junho de 2017

Pão ciabatta sem glúten

Para aproveitar a manhã livre do feriado e comermos pão fresco ao pequeno almoço,  ontem à noite decidi-me a deixar massa preparada a levedar. Mas que receita? Precisava que fosse fácil e rápida porque estava cansada. Optei então por fazer ciabattas e resolvi experimentar  com as farinhas que tinha mais à mão. O resultado foi este:

























Ingredientes:
425 gramas de farinha Schar Mix B
75 gramas de farinha de trigo sarraceno
2 gramas de psílio em pó
3 gramas de fermento seco
30 gramas de massa velha
480 ml de água
30 ml de óleo vegetal
8 gramas de mel
8 gramas de sal fino

Na cuba da batedeira, misture as farinhas com o psílio e o fermento. Faça uma cova no meio e acrescente a água, o óleo e o mel. Deixe bater bem e junte depois a massa velha (isto não é mais do que massa crua guardada de uma fornada anterior- quem não tiver, deve acrescentar mais fermento seco). Por fim, acrescente o sal e deixe bater durante 10 minutos.Leve depois ao frigorífico para levedar durante 8 a 12 horas. 

No final desse período, ligue o forno a 220 graus e coloque um recipiente metálico no fundo do forno com um pouco de água. Retire primeiro 30 gramas da massa e guarde num recipiente fechado no frigorífico para usar como massa velha numa próxima fornada. Coloque a restante massa numa superfície enfarinhada e vá dobrando-a, como se estivesse a fazer massa folhada. Estenda depois a massa num rectângulo grande e, com uma faca afiada, corte rectângulos mais pequenos. Deixe repousar um pouco, coloque depois num tabuleiro forrado com papel vegetal e leve ao forno. Aos 10 minutos de cozedura, diminua a temperatura para 200 graus e deixe cozer durante mais 30 minutos. Faça depois um arrefecimento gradual antes de servir.


domingo, 28 de maio de 2017

Uma outra receita de donuts

Apesar de já ter algumas entradas no blog com receitas de donuts, experimentei uma nova versão que tinha visto há já bastante tempo no blog Celiaquines. A pretexto de uma festa infantil, e como receitas bem sucedidas de donuts sem glúten nunca são demais, decidi-me a pôr, mais uma vez, as mãos na massa. A receita original leva leite e manteiga, mas experimentei com versões vegetais, de modo a ser acessível a quem tem que evitar lacticínios. Acabou por ser realmente um sucesso, já que os donuts desapareceram literalmente em cinco minutos!

Ingredientes:
200 gramas de farinha panificável Área Viva Continente
100 gramas de farinha de arroz Ceifeira
50 gramas de farinha Schar Dunkel Brot
50 gramas de polvilho doce
240 gramas de leite de amêndoa
8 gramas de fermento seco
100 gramas de açúcar fino
2 gemas de ovo
60 gramas de margarina Vitaquell à temperatura ambiente
8 gramas de vinagre
Óleo vegetal (para fritar)
Algumas sementes de cardamomo esmagadas
1 colher de chá de essência de baunilha

Na cuba da sua batedeira, misture as farinhas com o fermento e o açúcar. Junte depois o leite, as gemas, o vinagre, a baunilha e as sementes de cardamomo. Deixe bater muito bem, acrescente a margarina e torne a bater durante 5 a 10 minutos. Leve a massa depois a levedar a frio (no frigorifico) durante 8 a 12 horas, num recipiente bem tapado.

Estire a massa entre duas folhas de papel vegetal oleadas até esta ter uma espessura de 1/1,5 centímetros. No meu caso, eu usei um cortador de donuts para cortar a massa, mas pode-se improvisar com um copo e uma tampa de garrafa. Reaproveitando os círculos de massa que sobram, esta receita deverá render entre 15 a 16 donuts. Deixe então os donuts a levedar de novo, tapados com uma das folhas de papel vegetal durante 30 a 45 minutos.

No final deste período, aqueça o óleo a 190°C, coloque 3 a 4 donuts na fritadeira e frite um minuto de cada lado. Coloque os donuts em cima de bastante papel absorvente e aplique a cobertura que pretender, assim que possível: ganache de chocolate, glacé, açúcar em pó com canela… A imaginação é o limite!


















sábado, 6 de maio de 2017

Bolo de morangos

Uma receita deliciosa, com fruta da época e mesmo a tempo para o Dia da Mãe... 

Ingredientes:
4 ovos
150 gramas de açúcar
125 gramas de fécula de batata
1 colher de chá de essência de baunilha

Para a cobertura:
350 gramas de morangos frescos
110 gramas de açúcar
1 colher de sopa de vinho do porto

Comece com o bolo: separe as claras das gemas e bata-as em castelo. Reserve. Na cuba da sua batedeira, bata as gemas com o açúcar e a baunilha até obter um creme amarelado, 5 a 7 minutos na velocidade alta. Junte depois a fécula e bata até estar tudo bem misturado. Por fim, junte as claras em castelo com cuidado. Verta num tabuleiro forrado com papel vegetal e leve ao forno pré-aquecido a 160C durante 25 a 30 minutos (até um palito inserido no meio sair seco).

Enquanto o bolo coze, prepare a cobertura: leve ao lume uma panela com o açúcar e o vinho do porto; quando derreter, junte os morangos (arranjados e lavados). Deixe cozer até os morangos amolecerem e se formar uma espécie de compota. Reserve.

Quando o bolo estiver cozido, deixe arrefecer um pouco e depois desenforme. Cubra então o bolo com os morangos, deixe arrefecer de novo e sirva.



























terça-feira, 2 de maio de 2017

Dificuldades a bordo

Nada como começar o mês de Maio, mês da consciencialização celíaca, com uma notícia que seria cómica se não fosse uma mostra do que ainda há para evoluir nesse campo: um passageiro inglês, celíaco, pediu com antecedência uma refeição sem glúten para o seu vôo de nove horas entre Tóquio e Sidney, com a companhia japonesa ANA. Isto foi o que lhe entregaram como pequeno almoço:

















Notícia daqui.


quinta-feira, 27 de abril de 2017

Bolos levedos dos Açores sem glúten

Andava há muito tempo para experimentar fazer bolos levedos sem glúten, mas ia sempre adiando. No feriado do 25 de Abril decidi que seria esse o dia. A primeira vez que os provei foram-me trazidos dos Açores por uma boa amiga  e foi amor à primeira dentada. Com a dieta, nunca mais entraram lá em casa até terça-feira passada. Usando a receita tradicional que se encontra em vários sites, adaptei para as farinhas sem glúten (e sem lacticínios) e foi um sucesso redundante: o sabor e a textura são iguais e mantém-se frescos até hoje, dois dias depois. Uma receita que certamente repetirei muitas vezes.

Ingredientes:
300 gramas de farinha Schar Mix B
110 gramas de farinha panificável sem glúten Continente
60 gramas de farinha Schar Brot Mix Dunkel
30 gramas de polvilho doce
2 gramas de psílio em pó
8 gramas de fermento seco
125 gramas de açúcar
2 ovos L
Raspa de meio limão
250 ml de leite vegetal de amêndoa
Sal fino q.b.
125 gramas de margarina Vitaquell (ou manteiga) à temperatura ambiente

Na cuba da sua batedeira, misture as farinhas com o psílio, o açúcar e o fermento até obter uma cor homogénea. Junte os ovos e a raspa do limão e bata um pouco; com a batedeira ligada, vá acrescentando o leite. Por fim, junte a margarina com um pouco de sal fino e deixe bater cerca de 10 minutos até estar tudo misturado. Tape a cuba com um plástico e deixe a levedar entre 1 a 2 horas- preferencialmente, deixe levedar dentro do frigorífico durante a noite.

No final do período de levedação, forme cerca de 10 a 12 bolas e achate-as, dando-lhes a forma de discos em cima de papel vegetal. Tape e deixe levedar mais 30 minutos.

Por fim, coloque os discos numa frigideira anti-aderente e deixe cozinhar em lume brando durante cinco minutos de cada lado. Deixe arrefecer se quiser ou sirva morno, simples ou para barrar.













terça-feira, 25 de abril de 2017

Farinheira sem glúten

Há já algum tempo que sei que a marca Fumeiros da Guarda tem uma gama de produtos sem glúten de nome Ancestral, mas ainda não a tinha encontrado. Nesta, a maior novidade é a farinheira que não existia no mercado sem glúten. No entanto, encontrei-a agora no Pingo Doce a 2,19€ a unidade. Assim e, depois da alheira, temos agora a farinheira para alegria dos celíacos mais a Sul onde esta especialidade é mais conhecida. No entanto, como é feita com pão com amido de trigo sem glúten, não é apta para alérgicos ao trigo. Fica a dica.















segunda-feira, 10 de abril de 2017

Bolachas com pepitas de chocolate: a versão final

Embora já tendo duas receitas de bolachas de pepitas de chocolate no blog, não resisto a publicar a última tentativa e a que melhor reproduziu as bolachas na sua versão com glúten. Talvez o segredo seja o uso da farinha panificável da Schar, talvez seja a longa refrigeração, mas o facto é que estas bolachas saíram perfeitas e são fáceis de fazer. O mais difícil é não comê-las todas de uma vez. A receita é do blog Gluten Free on a Shoestring da fantástica Nicole.


Ingredientes:
105 gramas de farinha Doves Farm White Self Raising
15 gramas de Maizena
120 gramas de farinha Schar Mix B
½ colher de chá de bicarbonato de sódio
½ colher de chá de fermento em pó
½ colher de chá de sal fino
100 gramas de açúcar branco
110 gramas de açúcar mascavado claro
140 gramas de manteiga/margarina (uso Vitaquell)
1 ovo L
1 colher de chá de essência de baunilha
160 gramas de pepitas de chocolate (uso do Mercadona)

Na cuba da sua batedeira, misture as farinhas com o sal, o fermento, o bicarbonato e o açúcar branco. Junte depois o açúcar mascavado e misture com as mãos para desfazer os grumos. Junte a manteiga/margarina à temperatura ambiente e bata bem até obter uma espécie de areia. Acrescente depois o ovo e a baunilha e bata muito bem. Finalize com as pepitas, envolva bem, e, por fim, embrulhe a massa em película transparente. Guarde no frigorífico durante, pelo menos, 24 horas.

Quando tiver passado o período de refrigeração, retire do frigorífico e forme bolas de massa, ligeiramente menores de uma bola de ping-pong. Coloque-as num tabuleiro forrado com papel vegetal com bastante espaço entre elas pois a massa vai espalhar. Leve ao forno pré-aquecido a 160ºC com calor em cima e em baixo, durante aproximadamente 12 minutos, até as bordas começarem a dourar. A meio da cozedura pode ligar a ventilação para ajudar a dourar. Retire o tabuleiro do forno e deixe as bolachas arrefecerem 5-6 minutos e só depois retire-as para uma rede onde acabarão de arrefecer. Guarde numa lata própria para bolachas onde aguentam bem 5 a 7 dias (se resisitirem às investidas de mãos pequenas até lá, claro).

Rende cerca de 30 bolachas de tamanho médio. 






















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